A igreja de Éfeso (Carta do Apocalipse) – Amor Esquecido

A igreja de Éfeso (Carta do Apocalipse) – Amor Esquecido

A igreja de Éfeso tinha obras, paciência e provava a veracidade da vida dos Apóstolos. Contudo, faltava o primeiro amor. Isso é uma realidade dos nossos dias.

Quero escrever esse estudo trazendo verdades práticas para nossas vida e ensinamentos valiosos. Até porque até mesmo Jesus reconheceu as obras daqueles que eram dessa igreja, contudo a ausência do amor, foi motivo de repreensão.

Já introduzindo, essa passagem se encontra em Apocalipse 2.1-7 (recomendo que leia antes de prosseguir em nosso estudo) e o escritor foi João, contudo o autor foi o próprio Jesus:

“Escreve ao anjo da igreja de Éfeso: Isto diz aquele que tem na sua destra as sete estrelas, que anda no meio dos sete castiçais de ouro.” (Apocalipse 2:1)

O interessante é que essa carta a igreja de Éfeso, é uma porção, das 7 cartas das igrejas em Apocalipse.

Contudo, observando cada uma das cartas, inquestionavelmente, é um cenário que não só ocorreu na igreja primitiva, mas retrata toda a jornada da igreja na Terra até os dias atuais.

Quero pontualmente nesse estudo bíblico falar sobre:

  • Contexto histórico da igreja de Éfeso.
  • O que Jesus aprovou em Éfeso?
  • O que Jesus rejeitou em Éfeso?
  • As instruções quanto as mudanças que deveriam ser tomadas.
  • O convite e a recompensa.

Se mesmo ao final do estudo, diante de tudo que vai ser falado, estiver com dúvidas. Utilize livremente o campo comentário, vamos ter o maior prazer em te ajudar.

Contexto histórico da igreja em Éfeso

Nesse momento de escrita da carta, Éfeso era a principal cidade da província da Ásia, do lado oeste da Ásia Menor. Essa cidade também era um grande porto.

Caravanas nas estradas romanas do norte, leste e sul convergiam aqui, para deixar suas cargas em navios que velejavam para o oeste em direção a Corinto ou mesmo até a Itália. Éfeso era uma metrópole agitada.

Politicamente, Éfeso era uma cidade livre. Isso significava que ela desfrutava de uma medida considerável de autonomia autônomo. Nessa cidade também ocorriam os famosos jogos anuais.

Por causa da sua importância estratégica, Paulo havia passado mais tempo aqui (perto de três anos, Atos 20.31) do que em qualquer outro lugar nas suas três viagens missionárias.

Ele fez muitos convertidos, tanto judeus quanto gentios (Atos 19.10) e construiu uma igreja forte. Nos anos 60 d.C., Timóteo foi colocado lá (1 Timóteo 1.3). A tradição da Igreja Primitiva afirma que João passou os últimos anos da sua vida nesse terceiro grande centro do cristianismo (depois de Jerusalém e Antioquia).

O comentário bíblico BEACON ressalta que existem 3 motivos para João escrever primeiro a igreja de Éfeso:

  1. Ela era a principal igreja na Ásia e estava situada na principal cidade da província.
  2. Ela era a cidade mais próxima de Patmos, a cerca de 100 quilômetros. (A ilha de Patmos era aonde João estava mantido preso no momento que recebe a revelação do Apocalipse)
  3. Ela era a igreja-mãe de João.

O que Jesus aprovou em Éfeso?

Podemos encontrar a aprovação de Jesus, referente a Éfeso nos seguintes versículos:

“Conheço as tuas obras, e o teu trabalho, e a tua paciência, e que não podes sofrer os maus; e puseste à prova os que dizem ser apóstolos, e o não são, e tu os achaste mentirosos. E sofreste, e tens paciência; e trabalhaste pelo meu nome, e não te cansaste.” (Apocalipse 2:2-3)

De acordo com esse texto bíblico, percebemos que Jesus sempre está atento as nossas obras. Aquilo que fazemos em prol do Reino, sempre vai ter a sua recompensa.

E Cristo ainda dá destaque para:

  • Trabalho e que não se cansavam em fazer isso.
  • Paciência.
  • Que não pode sofrer os maus.

Só essas qualidades daquela igreja, já poderíamos fazer um imenso contraste com o cenário atual que observamos no nosso século.

Trabalho e que não se cansavam em fazer isso

Quando se menciona trabalho, o comentarista Barclay diz: “trabalho até suar; trabalho até ficar exausto; o tipo de labuta que suga toda a energia e mente que um homem possui.”

Aquela igreja não media esforços para fazer a obra de Deus, era do tipo de que se você chamasse para fazer algo, com certeza seria as pessoas que estariam dispostas.

Um exemplo de trabalho a ser seguido. As nossas igrejas precisam para de medir esforços em fazer algo para Deus.

Não sei se você já reparou, mas para coisas seculares como ir ao shopping, cinema e parque, não pensamos duas vezes. Agora, para fazer as coisas à Cristo, geralmente colocamos desculpas.

Existe até um versículo que demonstra claramente a disposição ao trabalho que devemos ter:

“Façam tudo sem queixas nem discussões, para que venham a tornar-se puros e irrepreensíveis, filhos de Deus inculpáveis no meio de uma geração corrompida e depravada, na qual vocês brilham como estrelas no universo.” (Filipenses 2:14-15)

Tudo que fazemos a Deus deve ser sem queixas e discussões, ou seja, com um coração verdadeiramente entregue.

Paciência

A paciência aqui, pode ser mais bem traduzida segundo o comentário bíblico BEACON como: “persistência imperturbável.”

Não existia nada que abalava aquela igreja, eles tinham uma persistência em paciência. Apesar das lutas, continuavam a sua jornada cristã.

Aqui quero remeter principalmente ao individual, nós como cristão devemos priorizar essa persistência em nossas vidas. Com certeza vamos passar por diversas lutas, contudo, não podemos desistir.

Com toda certeza, é melhor o ser vitorioso do que começar vitorioso. O sábio Salomão diz que:

“Melhor é o fim das coisas do que o princípio delas.” (Eclesiastes 7:8)

E ainda, Paulo como um exemplo, nos diz que combateu o bom combate e estava no aguardo da coroa da justiça (2 Timóteo 4.7-8)

Com isso, concluímos que devemos ser perseverantes, ainda que tenha situações difíceis.

Que não pode sofrer os maus

A igreja de Éfeso não era apenas diligente, mas também cautelosa em termos de disciplina: ela não podia sofrer (tolerar) os maus. Diferentemente de Corinto, ela não tolerava o pecado dentro da igreja.

Ela havia colocado à prova os que dizem ser apóstolos e o não são e os havia achado mentirosos.

Aquela igreja de modo algum suportava aqueles que não apregoavam a verdade. Eles olhavam tanto para o ensino como para a vida daqueles que pregavam.

Se a nossa igreja utilizasse profundamente dessa prática, com certeza o número de heresias que está sendo pregado, ia diminuir drasticamente.

O ministro do Evangelho, aquele que tem um afazer dentro da obra de Deus, deve acima de tudo ter uma conduta ilibada. Ser uma pessoa que não envergonha o evangelho puro de Cristo.

Em sua primeira epístola, João adverte: “provai (testai) se os espíritos são de Deus, porque já muitos falsos profetas se têm levantado no mundo” (1 João 4.1).

O que Jesus rejeitou em Éfeso?

Apesar da igreja de Éfeso demonstrar ser uma congregação ortodoxa, perseverante e zelosa. Foi identificado um erro, que se diga de passagem, é gravíssimo.

Aquela igreja carecia do amor. Sem isso, tudo o mais era em vão.

“Tenho, porém, contra ti que deixaste o teu primeiro amor. Lembra-te, pois, de onde caíste, e arrepende-te, e pratica as primeiras obras; quando não, brevemente a ti virei, e tirarei do seu lugar o teu castiçal, se não te arrependeres.” (Apocalipse 2.4-5)

Muitas vezes é dito que a igreja de Éfeso tinha “perdido” seu primeiro amor. Mas, não é isso que o texto diz. Lemos: que deixaste (o teu primeiro amor), O verbo é aphiemi, que significa “deixar ir, mandar embora, desistir, abandonar”.

Charles R. Erdman comenta dizendo: “Esse era o amor por Cristo e o amor pelos companheiros cristãos. Os dois aspectos são inseparáveis”.

Inevitavelmente aparece uma pergunta: Porventura, o zelo da igreja de Éfeso na sua defesa pela ortodoxia contribuiu para a perda do amor? Isso é bem provável. Ao defender a verdade e disciplinar membros instáveis, é fácil desenvolver um espírito severo e crítico que acaba destruindo o amor.

A falta de amor era um erro tão grave que imediatamente Deus faz uma recomendação a ser tomada. Colocando três atitudes importantes que deveriam ser tomadas:

  1. Lembrar-se de onde caiu.
  2. Arrepender-se.
  3. Praticar as primeiras obras.

Acredito que essa ordem não é aleatória e sim sequencial, primeiro devemos lembrar de onde caímos, depois arrepender-se e por último praticar.

Vale ressaltar por estar em ordem sequencial, todas as atitudes se fazem importantes. Ao qual, nenhuma deve ser desprezada.

Eu costumo dizer a respeito dessa passagem que: “Enquanto lembramos a onde caímos está bom, difícil é quando esquecemos.”

Porque podemos ter errado a tanto tempo, e estamos carregando isso, contudo, já está tão enraizado que não lembramos mais da nossa primeira falha. Como resultado, o arrependimento é algo que você deve praticar já se estiver nessa situação.

Se a igreja de Éfeso rejeitasse ou falhasse em se arrepender e praticar as primeiras obras, Jesus advertiu: brevemente a ti virei e tirarei do seu lugar o teu castiçal, se não te arrependeres. Isto é, a igreja de Éfeso deixaria de existir como congregação cristã.

Isso ressalta a seriedade de Deus quando faz uma exortação. Devemos imediatamente buscar a mudança.

O convite e a recompensa (Conclusão)

Por último temos o convite como: “Quem tem ouvidos ouça o que o Espírito diz as igrejas”, e a recompensa:

“Ao que vencer, dar-lhe-ei a comer da árvore da vida, que está no meio do paraíso de Deus.” (Apocalipse 2.7)

Em cada carta há uma promessa para aquele que vence. A promessa aqui é que o vencedor terá o direito de comer da árvore da vida. Adão perdeu esse direito devido a falha, contudo nós que vencermos vamos ter esse privilégio novamente.

Para concluirmos o estudo, observamos na igreja de Éfeso:

  1. A insuficiência das obras.
  2. A necessidade do amor.
  3. A natureza do arrependimento.

Que venhamos utilizar esse exemplo de erros e acertos para aplicar em nossa vida, tanto na igreja como também individual.

Assim como a igreja de Éfeso tinha pontos positivos, também tinha o negativo. E tudo isso é aprendizado prático para nós.


Notas e Consultas:

Comentário Bíblico Beacon – Volume 10.

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